Muito tem se falado da nova tendência 3D que tem surgido com o sucesso dos filmes nos cinemas. Uma tendência que há muito estava sumida, e agora ressurge das cinzas. E toda essa “revolução” 3D estava relegada ao cinema até que na última CES (Consumer Eletronics Show) se viu uma avalanche de tecnologias e novos produtos que levam o 3D dos cinemas para dentro de casa. Será mesmo que os consumidores querem isso? Essa pergunta não poderei responder por ser pessoal demais. Mas uma coisa que gostaria de discutir aqui é certa: como a indústria cinematográfica ainda está perdida na era da informação.
É fato que há alguns anos, desde a popularização dos home theaters e televisões de LCD, o cinema perdeu um pouco da magia que tinha. Antigamente, íamos no cinema para ver com qualidade de imagem e som os novos lançamentos da indústria. Telas grandes, som envolvente, tudo isso só era possível nas salas de cinema. Claro, isso sem falar dos amigos e da pipoca que só o pipoqueiro sabia fazer. Era um prazer pagar o ingresso para aproveitar toda aquela tecnologia uma película em seu lançamento. Me lembro de ficar impressionado com o áudio surround de Jurassic Park e Independence Day.
Porém, o mercado evolui, as tecnologias avançam e hoje temos praticamente tudo isso em casa, numa forma reduzida, admito. Mas a diferença não é grande. A experiência que o espectador têm é praticamente a mesma. Consigo assistir os mesmo Jurassic Park e Independence Day como mesmo impacto que tive anos atrás. Portanto, pra que ir no cinema?
É claro que há várias características que só o cinema pode nos oferecer, principalmente no quesito social e gastronômico. Sair de casa com os amigos para ver um filme e comer a pipoca de pipoqueiro profissional faz parte da vida do ser humano. Mas, com a tecnologia em casa, essas idas ao cinema diminuíram bastante. Se antes íamos a todo lançamento, hoje só vamos nos mais relevantes ou quando temos companhia. Não estou falando do fim do cinema como conhecemos, mas sim, de uma transformação no modo de enxergar o cinema no cotidiano. Perceba que muita gente já prefere esperar sair uma cópia de um filme para assitir em casa, em toda sua parafernalha do que enfrentar filas e adolescentes nas salas de cinema.
Algumas coisas acabam mostrando como a industria cinematografica tentou atrair novamente os espectadores para as salas de cinema. Melhoria do conforto nas salas, criação de serviços VIP, salas IMAX, e uma reinvençao do 3D. Aquele mesmo 3D que tínhamos na década de 80 que nos obrigava a usar um par de oculos com lentes vermelho/azul em certos momentos do filme. Hoje, ao contrário, os filmes são apresentados 100% em 3D, e os óculos seguem mais as tendências da moda. Mas a experiência é a mesma de 30 anos atrás, a evolução foi sutil.
Mesmo assim, é interessante. Eu já assisti alguns filmes em 3D no cinema e sim, gostei bastante da experiência. Apesar de ter que ainda usar um par de óculos para enxergar os efeitos e pagar por um ingresso bem mais caro, os óculos nao incomodam tanto e a experiência chega a ser compensadora. Agora sim, o cinema conseguiu ter seu diferencial. Podemos agora todos voltarmos a frequentá-los e experimentarmos algo que só é possível lá. Mas trazer o 3D para as salas de estar talvez não seja uma boa ideia. Não pelo fato da tecnologia doméstica acabar matando novamente o propósito das salas de cinema. Mas sim pelo fato de que esta tecnologia do jeito que está sendo executada pode não ser nada prático no sofá de casa. Como assim? Eu pelo menos não me imagino chamando um grupo de amigos para ver um filme lá em casa e distribuindo óculos 3D para todos… Perguntem aos seus amigos e colegas o quão ridículo isso soa. Sim, o 3D ainda precisa evoluir. Depender de um apetrecho, que além de tudo exclui certos grupos de pessoas como os que usam óculos e os que tem certas deficiências visuais, não é coisa do século 21.
Até que existem certas tecnologias de imagem 3D que não necessitam de óculos. Porém, elas necessitam que o conteúdo seja gerado especialmente para estas tecnologias. Hoje, alguns monitores LCD com essa tecnologia são usados em campanhas de marketing de empresas. Eu mesmo já vi a Vivo e a Claro usando estes monitores em stands e lojas. É realmente impressionante você assisitr a um conteúdo em 3D sem o uso de óculos. Mas neste caso, a mudança seria bem mais cara pelo fato do conteúdo ter que ser gerado especialmente para estas TVs. Por exemplo, as distribuidoras de filmes teriam que gerar uma versão diferente especialmente para monitores 3D que não requerem óculos.
Mas, resumindo: pra que o 3D agora se nem o Blu-Ray ainda engolimos direito? Há quem diga que o 3D é o catchup que faltava para digerirmos o Blu-ray. Pode ser que gastarão algumas cifras para isso, com pesquisa e desenvolvimento para adaptar a tecnologia aos aparelhos domésticos. Mas, valerá a pena? A indústria ainda não se encontrou quanto às questões de distribuição digital e direitos autorais e agora já querem empurrar o 3D junto com o Blu-ray. Assim a gente engasga. Pelo menos por enquanto, espero que deixem o 3D para o cinema. É mais romântico, tecnologicamente falando.
Independente de qualquer coisa, parece mesmo que depois da guerra dos formatos das mídias de alta capacidade (Blu-ray x HD-DVD) a próxima será de padrões de imagem 3D. Será que a industria nunca cansa de perder dinheiro nessas guerras de padrões? Quando do dinheiro é perdido com “pirataria” ela se importa, né?